Crescem os negócios de permuta - Jornal do Brasil - 16/12/2007
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A troca de produtos, anterior à existência da moeda nas sociedades primitivas, virou algo mais do que moderno nos dias de hoje. O antigo escambo foi rebatizado e ganhou o nome de permuta. Com o objetivo de reduzir gastos e de liberar receita para custear despesas fixas, empresários contemporâneos se associam a clubes de permuta e fazem negócios sem desembolsar nenhum tostão.
O segmento, ainda recente no Brasil, já conta 1.500 empresas cadastradas e só ano passado movimentou algo em torno de R$ 40 milhões. Segundo projeções de empresários do setor, o faturamento esperado é de R$ 150 milhões nos próximos cinco anos. Nos Estados Unidos, esse mesmo modelo gira em torno de US$ 10 bilhões por ano.
O Clube Pro Rede, que existe há três anos e meio e mantêm filiais no Rio, Minas e Santa Catarina, já possui 400 associados e estima fechar o ano com 4 mil transações e faturamento de R$ 7 milhões.
Marcio Lerner, diretor executivo do Clube, conta que a idéia nasceu depois de analisar as negociações de permuta entre duas empresas. Ele percebeu que faltava criar as transações multilaterais, em que duas ou mais empresas fecham negócios ilimitados.
- Esse modelo dá mais flexibilidade. Os clientes trocam livros por cursos de informática, se hospedam em hotéis ou fazem publicidade, tudo através de uma enorme rede de relacionamento - explica Lerner.
Esses negócios funcionam como uma conta corrente, em que clientes acumulam créditos ou débitos, a partir de compras ou vendas de produtos ou serviços. As empresas cobram taxas de administração e comissões sobre transações realizadas. Em geral, uma equipe de funcionários busca clientes e oferece negócios, sem envolver dinheiro, às empresas associadas.
Foi assim que se conheceram e permutaram via Pro Rede a editora de livros Record e o curso de idiomas e informática Advanced. Os cursos de Excel foram pagas com livros.
Roberta Machado, coordenadora de gestão da Record, conta que R$ 100 mil foram economizados este ano só com ações promovidas pelo clube. E a editora ainda tem créditos.
- Sem essas iniciativas, talvez não tivesse feito nada. Eu pude ofertar cursos aos meus funcionários, fiz publicidade na Bienal e ainda vou me hospedar em São Paulo na próxima semana - revela.
Troca até de ingressos de cinema
Parceiro de Roberta, Jean Marc Frajtag, diretor do Advanced, está com saldo devedor hoje. Movimentou apenas R$ 3 mil, mas usufruiu bastante das permutas. Além de receber livros da Record, com os quais presenteou seus professores, fez cursos de Tecnologia da Informação (TI) na Unicarioca, deu ingressos de cinema do Grupo Estação para funcionários e ainda hospeda o site da empresa há dois anos em outro cliente do Clube.
- Hoje sou devedor, mas já estou programando o lançamento de um grande projeto, cursos de informática in company, que vai me deixar credor no sistema - anuncia.
Para José Rivero, diretor da Tradaq, esse modelo de negócio só traz benefícios aos empresários, principalmente para os pequenos e médios, porque eles trocam o que têm pelo que precisam.
Em sua empresa, que é a pioneira no país no segmento e já existe desde 2000, Rivero possui uma rede de 600 clientes, entre gráficas, rede de hotéis e restaurantes e serviços de motoboy. Com um faturamento superior a R$ 80 milhões em sete anos, a Tradaq realiza mais de 5 mil operações por ano.
- A Boy Service, quando quis abrir filial em São Paulo, montou todo o escritório com móveis permutados e eles pagam tudo com serviços de entrega - conta.
Ele relembra outro caso. A rede de hotéis Astro fez campanha publicitária enorme, no valor de R$ 100 mil, e trocou por diárias.
Para o advogado Marcus Donnici Sion, especialista em Direito Empresarial, as empresas interessadas nesse modelo de negócio devem se precaver por meio de contratos jurídicos. Ele reforça ainda que as negociações não estão isentas do recolhimento de impostos.
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